EMERGENCY (2022)

Prontos para uma noite de festas épicas, três estudantes universitários voltam para casa e encontram uma mulher desconhecida inconsciente no chão de seu apartamento. Preocupados, eles tentam levar a mulher a um local seguro sem levantar suspeitas.
O filme leva um pouco mais de 15 minutos para nos apresentar os dois protagonistas do filme, com um pouco dos seus passados e vislumbres e promessas sobre o futuro. Base importantíssima para nos fazer debater e dialogar se as decisões tomadas dentro de toda a narrativa do filme foram as corretas. Embarcamos por completo nas encruzilhadas e debates que o roteiro propõe. Sim, só embarcamos, nunca saberemos como é esse sentimento na vida real, e se você que lê esta resenha sabe, sinto muito.
A construção de suspense é feita de forma brutal, você sente o pavor e o medo no rosto dos três protagonistas e o vilão do filme nem sabe que eles existem ainda. Ledo engano achar que boa parte do filme não existe antagonista, o vilão é centenário e os perseguem há muitos anos, só mudam os nomes, lugares e circunstâncias.
Nada é simples. Uma ajuda pode ser interpretada como sequestro. Arma na cabeça, sua vida toda passando em looping na sua frente. Devemos julgar quem pega outro caminho e se nega a ajudar? Difícil. O filme acerta em nos dar duas visões antagônicas no incidente que se rivalizam e se distanciam e no final chegam a um acordo.
Acredito que o filme peca muito no seu desfecho, um pouco verborrágico para o meu gosto, mas entendo que para a maioria dos idiotas de hoje você tem que ser bem didático, entendo, mas poderia ser mais direto, menos expositivo.
O filme acerta em sua maioria em sua crítica social e racial e além de tudo é um ótimo suspense.
SPIDERHEAD (2022)

Em Spiderhead, em um futuro próximo, os condenados terão a chance de se voluntariarem como cobaias em experimentos médicos com finalidade de diminuir sua pena. Quando um dos condenados se submete para o teste de uma nova droga capaz de gerar sentimentos, ele começa a questionar a realidade de suas emoções.
Quando você tem em sua narrativa poucos personagens e praticamente todas as cenas são feitas em um cenário, você tem que ter um roteiro forte juntamente com atuações tão fortes para segurar o filme. Posso citar o mais recente ”Árvore da Paz’’ que se passa o filme todo em um cubículo de 4 metros quadrados e com apenas 4 personagens que faz isso muito bem. Aqui em Spiderhead não vejo problemas em atuações, sendo que fazem o máximo que podem com o texto que tem, mas o problema maior é o roteiro e a montagem.
O roteiro adaptado do conto não conseguiu fazer uma adaptação interessante para o audiovisual. Em muitos momentos a trama fica massante e parece que estamos vendo um curta-metragem sendo alongado o máximo possível para ser vendido como filme. Falta escopo para história, algumas vezes acertam com flashbacks para o preenchimento,mas são muito poucos para não deixar o ritmo modorrento e fraco.
Não conseguem trabalhar a questão do livre-arbítrio e das escolhas presentes na trama, fica tudo artificial. As questões existenciais ficam de segundo ou até terceiro plano, e vira um thriller de tortura ruim. Acredito que não deva ter sido o objetivo do conto.
Spiderhead daria um ótimo curta. Como filme faltou tempero.
