HEARTSTOPPER

Charlie (Joe Locke) é um aluno muito dedicado, mas que tem sofrido bullying na escola de forma constante desde que se assumiu gay, o que resultou em uma personalidade bastante acanhada e insegura nos últimos tempos. Já Nick (Kit Connor), é super popular e querido por ser um excelente jogador de rugby.
Heartstopper é um presente que não estávamos esperando e recebemos com o coração apertado e o rosto escorrendo lágrimas. Uma série que sabe da sua importância e trata todos os assuntos com normalidade e tranquilidade que faltam na maioria das narrativas. Tanto o ritmo e a duração são importantíssimos para a construção do romance, e diferentemente da maioria das séries teens, não existe a famosa barriga do roteiro, tudo se encaixa e se completa por inteiro.
Aqui temos uma abordagem mais otimista que fez muito bem a obra, mas sem medo de discutir e abordar todos os temas relacionados à dificuldade de se assumir para a sociedade e a auto aceitação. A homofobia e a transfobia são assuntos centrais em toda narrativa e é jogado em tela as diferenças de percepção da nossa sociedade. Um bom exercício é após assistir a série, você se perguntar qual personagem você mais se identifica, dependendo da sua resposta, terá que melhorar e construir mais empatia amigo.
Mas além de tudo, Heartstopper é ainda um dos melhores romances que já vi no audiovisual. Talvez o melhor, tanto em questão de química entre atores e na construção do relacionamento, feitas de forma organicamente perfeitas, fazendo-nos transportar para dentro das páginas do livro de tão bem adaptado.
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Heartstopper tem 100% no Rotten da crítica e é a série mais bem avaliada pelo público no IMDB em 2022. Eu vou discordar? Para mim é a melhor série que vi em 2022 até agora.
UMBRELLA ACADEMY 3ª TEMPORADA

Igualmente como nas duas primeiras temporadas, os irmãos Hargreeves lidam com a possibilidade do Apocalipse em uma timeline modificada pelos atos deles mesmos no passado. O caos e a bagunça toma conta das situações enquanto eles enfrentam um poderoso novo inimigo (desta vez, a Sparrow Academy), se distraindo em mini missões egoístas que mais têm a ver com suas questões e dilemas pessoais do que com o conflito central.
Aqui a série sofre com a repetição do clímax principal, mais uma vez vemos os irmãos se juntando para dar fim ao Apocalipse. Mas a série não aposta nessa trama como seu chamariz dessa vez, aqui o foco são nos atos irresponsáveis dos irmãos perante a irmandade e a humanidade. Sempre um irmão está tomando decisões anti-éticas ou que não favoreçam a maioria por puro egoísmo ou capricho. Saber lidar com perdas e vitórias e a empatia com o terceiro é o núcleo da série desta vez.
Na temporada onde temos 2 famílias de pseudo super-heróis como protagonistas, o que não faltam são personagens para apontarmos como vilões. Duas famílias quebradas por causa de um indivíduo que os criou que volta nesta temporada para os manipular novamente.
Tudo que nos fez amar Umbrella, está presente na nova temporada. As trocas e farpas dos irmãos, brigas familiares e traições inesperadas. O ponto negativo é o tempo da série para solucionar todo esse escopo narrativo que propõe, dez episódios foi a mais, daria para ser mais ágil e entregar a mesma história. O fato de tudo acontecer praticamente em poucos lugares empobrece o roteiro (A p4nd3mia pode ter sido a causa).
Umbrella entrega o mesmo plot das temporadas passadas, com algumas camadas a mais que enriquecem alguns personagens e empobrecem outros. Adorei o desfecho e o que uma quarta temporada possa nos proporcionar, foram para um caminho novo e corajoso. Resetamos. Aguardemos.
Iluminadas (2022)

Baseada na obra de Lauren Beukes, Iluminadas acompanha Kirby (Elisabeth Moss), uma jovem com um futuro promissor vivendo em Chicago na década de 1980. Um dia, ela é atacada por Harper (Jamie Bell), um homem misterioso culpado pelo desaparecimento e morte de inúmeras mulheres.
Claramente era uma série que chamaria minha atenção. Atores renomados com atuações espetaculares, mistérios envolvendo um serial killer e ficção científica envolvendo viagens no tempo e suas modificações que fazem com o espaço e pessoas envolvidas. Com uma escolha de montagem e fotografia que não auxilia em nossa compreensão sobre o tempo que está localizada a cena, para que nós nos sinta tão confusos como os protagonistas e vítimas com as mudanças. Não existem paletas diferentes, narração ou letreiro nos situando na narrativa, temos que ir aos poucos juntando os quebra-cabeças e entendendo o que está acontecendo.
Não é uma série de plot twist para sabermos junto com os protagonistas quem está matando, isso é nos dado no primeiro episódio. A série se baseia completamente no ‘’Como’’ ele consegue matar as mulheres e deixar alguns de ‘’souvenir’’ que nem sequer foram feitos. Isso nos prende magistralmente para sabermos como a história terminará e enfim descobrir seu modus operandi.
A parte negativa da série fica para os episódios iniciais que são bem lentos e nos dão poucas compensações quando se comparada com a série toda. A introdução é bem feita, mas não entretém e não constrói um suspense a altura. Após o quarto episódio a série sobe de ritmo nos dando compensações assombrosas em sua narrativa e de mistério e ficção que você não consegue mais parar de assistir e ver até o desfecho.
O desfecho em si não é apoteótico e me pareceu bem inferior aos episódios que o precedem. Muitas coisas não são respondidas que mereciam respostas e o episódio 6 inteiro para explicar para nós a motivação e o passado do assassino foi completamente desnecessário, 50 minutos de explicação em uma série que sempre teve apreço a nos deixar sem respostas e nos tratar com mais respeito.
Iluminadas é uma ótima série e vale muito ser conferida.
BEM-VINDOS AO ÉDEN

Na trama, um grupo de amigos é convidado para uma festa em uma ilha paradisíaca. Os jovens acreditam que o objetivo da comemoração é experimentar uma nova bebida antes que ela seja lançada oficialmente no mercado.
A mesma sensação que tive quando estava assistindo a série Outer Range tive com esta. A série constrói pseudo-suspenses que não levam para lugar algum. Não explicam em nenhum momento qual a razão de todo aquele rolê aleatório dos bad guys. Temos que embarcar e confiar que futuramente aos poucos vão nos dando respostas. Só que é o oposto, aos poucos eles só aumentam as perguntas e se perdem completamente no que é realmente interessante em acompanhar na série.
Em vários momentos não entendemos o motivo porque eles não se rebelam, não vemos soldados e nem armas na ilha. Apenas uma mulher brava com um instrumento de sacrificar gado sendo utilizado para o abate, bem rudimentar e fazendo uma analogia pobre. O roteiro não explica os motivos porque não escapam, não explicam o motivo sólido das seitas, só temos que assistir e ver no que vai dar. E NÃO DÁ EM NADA, um final completamente ruim e anticlimático que daria para ser arquitetado no terceiro episódio. Igualmente a Outer Range, a série não tem final e confia em uma segunda temporada para nos responder e nos explicar. Frustrante.
O Éden é mal apresentado, os motivos são mal apresentados, se tiverem algum segredo por trás do lugar só veremos na segunda temporada, por hoje é uma ilha de psicopatas. Talvez com uma segunda temporada possa ressignificar e melhorar a primeira, até lá. Não entregou nada
